Primeiro-ministro espanhol está a ponto de perder o poder

Deputados socialistas apresentaram moção de censura a Rajoy após caso de corrupção envolvendo o seu partido, o PP. Mariano Rajoy durante sessão de quarta-feira (30) no Parlamento espanhol, em Madri Juan Medina/Reuters Abalado pela corrupção em seu partido, o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, encontrava-se, nesta quinta-feira (31), a ponto de perder o poder, após se formar no Parlamento uma maioria que votará "sim" a uma moção de censura contra ele promovida pela oposição socialista. Nesta tarde, foi confirmado que a maioria dos deputados da câmara baixa - 180 de um total de 350 pertencentes a oito forças políticas - apoia a moção de censura, apresentada pelo líder socialista Pedro Sánchez, chamado a suceder Rajoy. Rajoy é um veterano de 63 anos, está há 11 anos no poder e ocupou vários cargos na política espanhola. Recentemente, sobreviveu à pior crise política em quatro décadas - o desafio separatista catalão. Mesmo pressionado, ele descarta a possibilidade de renunciar. Corrupção A queda de Rajoy, prevista na votação desta sexta (1º), é atribuída à corrupção. Foi revelado que uma série de empresas subornaram autoridades do Partido Popular, de Rajoy, para obter contratos públicos entre 1999 e 2005. "Sua permanência na presidência do governo é daninha, e um fardo não apenas para a Espanha, mas também para o seu partido", disse Sánchez a Rajoy nos debates da manhã, dominados por trocas de acusações entre ambos. "Trata-se, aqui, de que o Sr. Sánchez entre. Todo o restante é literatura (...) O importante é que ele entre, isso sim, sem passar pelas urnas", criticou Rajoy, que, desde o fim de 2016, governou com uma minoria na câmara. O líder conservador também acusou os rivais socialistas de "virem à Câmara dos Deputados para mentir", afirmando que, na sentença da Gürtel, em que haverá apelação, "não existe uma linha (...) em que conste uma condenação penal do governo da Espanha ou do PP". Promessas a partidos regionais O Partido Socialista Operário Espanhol, chefiado por Sánchez, tomou, na última sexta-feira, a iniciativa de apresentar a moção de censura, um dia depois do anúncio da sentença sobre o escândalo de corrupção. Além de condenar 29 pessoas a 351 anos de prisão, incluindo uma dúzia de ex-dirigentes do PP, a sentença obrigou o partido a pagar 245.492 euros e deu como comprovado que o PP contou com um caixa 2 desde 1989. Também colocou em dúvida a credibilidade de Rajoy, que disse aos juízes desconhecer qualquer financiamento ilegal do partido. Para conseguir o apoio indispensável, Sánchez fez hoje gestos e promessas aos partidos nacionalistas bascos e catalães. Ofereceu "criar pontes" com o presidente separatista catalão, Quim Torra, que, dias antes, chamou de "supremacista". Sánchez, prometeu, sobretudo, "por responsabilidade do Estado", manter os orçamentos para 2018 elaborados pelo governo Rajoy e aprovados na semana passada pela câmara baixa, mas pendentes de tramitação no Senado. Este gesto foi recebido como um aceno ao Partido Nacionalista Basco (PNV), que governa aquela região do norte da Espanha e obteve nos orçamentos um pacote valioso de 540 milhões de euros em investimentos em infraestrutura.

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