Temer negociou para ANP assumir discussão sobre reajustes
Um dos objetivos seria usar a influência do governo na agência para pôr fim aos reajustes diários. Moreira pediu estudo à ANP sobre periodicidade. A Agência Nacional do Petróleo assumiu as discussões sobre a frequência das mudanças de preços dos combustíveis. Foi uma estratégia do governo pra, indiretamente, acabar com a política de reajustes diários. A transferência para a Agência Nacional do Petróleo de uma decisão sobre o reajuste dos combustíveis foi uma tentativa de tirar o problema de dentro do governo. Em entrevista para a rádio CBN, o ministro da Casa Civilx, Eliseu Padilha, disse que a determinação foi do ministro Moreira Francox. "O ministro Moreira Franco, ministro de Minas e Energia, ontem, ele determinou à Agência Nacional de Petróleo que promovesse um estudo sobre como manter os preços do óleo, da gasolina, enfim, do gás, dos derivados de petróleo comercializados pela Petrobras, quanto a sua periodicidade de ajustes. Então, pra reajustar o preço, a ANPx é que vai definir. Ela vai abrir consultas populares agora, a partir da semana que vem, e vai, depois dessas consultas, a Agência vai, juntamente com a Petrobras, definir a política de reajustes", disse Eliseu Padilha. Moreira Franco negou que o governo tenha pedido uma intervenção da ANP, disse que o papel da agência é esse mesmo: atuar em momentos de turbulência para garantir um ambiente de segurança para os negócios. Moreira Franco foi o auxiliar do presidente Michel Temer que mais pressionou Pedro Parentex durante a greve dos caminhoneiros, queixando-se diretamente ao ex-presidente da Petrobrasx sobre a política de preços de todos os combustíveis. Temer tem dito que não vai mexer na política de preços da empresa. O ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo, disse que o Planalto buscava uma solução sem intervir na Petrobras ou no mercado de combustíveis. Nenhum ministro quis gravar entrevista. O governo quer baixar a discussão política que, segundo avaliação no Planalto, estava prejudicando a Petrobras e afetando o mercado. Por isso, o presidente Michel Temerx negociou nos bastidores a atuação da Agência Nacional do Petróleo, levando a questão para a área técnica, longe, do Planalto e sem a pressão política. Mas fontes do Palácio disseram que o governo vai usar a influência que tem na ANP para pôr fim aos reajustes diários. Dos cinco diretores da agência, quatro foram nomeados por Temer. A Agência Nacional do Petróleo pode resolver um problema, mas o governo já tem outro. Pelo menos uma importadora de combustíveis, a Brasil China, já entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federalx: quer que o governo conceda às importadoras de combustíveis um subsídio de R$ 0,30 por litro de diesel, como fez com a Petrobras. A empresa alega que segue os valores do mercado internacional, e que com o subsídio dado à Petrobras, sofrerá concorrência desleal. Nesta quarta-feira (6), o ministro Eliseu Padilhax reconheceu que o desconto de R$ 0,46 no óleo diesel só chegará a todas as bombas no dia 15 de junho, com a aplicação do ICMS pelos estados nos preços reduzidos.
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